segunda-feira, 21 de agosto de 2006

"Tão Vivo que Parece Gente"







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São Paulo, Sábado, 19 de Agosto de 2006. Destino Rio de Janeiro. Inverno Quente, Sol e praia. Na cidade de Nova Iguaçu chega o Festival Sesi Bonecos do Brasil. E com ele a magia, a alegria e a brincadeira. Nova Iguaçu, a antiga Cidade do Perfume onde o oxigênio recebia a fragrância das laranjeiras, que se exalava pelo percurso das ferrovias, um evento de encontros e contos. Amizades, aprendizagem, conhecimento, técnica, paixão e alma e corações e segredos milenares. Nova Iguaçu em Tupi-Guarani, significa Água Grande. Caminhões laranjas com rostos de bonecos estampados na lataria e o slogan “Tão Vivo que Parece Gente” se espalham pela cidade. Ergueram-se estruturas de ferro, som, luz. Bonecos gigantes de todas as regiões do Brasil erguidos em exposição. Reencontros, música, festas no quarto do hotel, mais reencontros. Até o dia seguinte.
Domingo, 20 de Agosto de 2006. Rio de Janeiro, inverno quente, Sol e ensaio no quarto 705. Rio de Janeiro destino Nova Iguaçu, às 16 horas. No Aeroclube da cidade as apresentações marcam o território na alegria dos olhares admirados pelo espetáculo. Na execução da magia, mestres bonequeiros/ titeriteiros/ mamulengueiros, diretores, atores, construtores, produtores, técnicos, contra-regras. Artistas da ilusão. Etapas: montar cenários, checar som e luz, colocar figurinos e maquiagem, estar em comunhão. Estar presente. Ser o presente. Ganhar de presente a apresentação de Bonecos Gigantes. A Cobra caminhando entre o mar de pessoas, deslizando pela pista do aeroclube. Lágrimas nos olhos refletem a beleza do espetáculo. A chuva cai e se mistura a essa emoção. E a cidade Nova Iguaçu nos banha com o que sabe ser sua maior força, suas grandes águas. Granito, vendaval, nuvem de poeira dançando violentamente e invadindo a alegria dos espectadores. Forçados a deixarem o cenário, correm pelo portão da saída. A mulher de mãos dadas à criança, chora o fim do espetáculo. O artista com sensibilidade e cuidado na despedida, sua voz pedindo que todos mantivessem calma. A ventania invade os palcos, sem piedade e inunda as estruturas e afoga figurinos e cenários. Na chuva rostos pintados correm para salvar suas histórias. Assistidos pela Natureza que insiste em participar da festa. Sem que saibamos se por aprovação ou admiração, Água Grande nos obrigou a despedida. Iguaçu nos presenteou com um dos espetáculos mais incríveis. O belo e triste espetáculo que deixou criadores e criaturas emocionados. De cima do palco via-se os bonecos gigantes caídos, as cadeiras vazias, os técnicos correndo para que tudo acabasse da melhor forma possível. Ao fundo a fila de espectadores saudosos e incrédulos pelo fim antecipado da diversão. Artistas em silênciose despedindo do que viria a seguir.
De volta ao Rio de Janeiro. No quarto 402, uma apresentação, a confraternização e a despedida do evento. Dia seguinte, Rio de Janeiro destino São Paulo. O nosso grupo se despede da cidade ouvindo a narrativa turística de um dos integrantes e ao fundo música tocando em uma estação de rádio. Fim da narrativa, o som aumenta. A música: Rio 40º cidade purgatório da beleza e do caos. “Vocês acabaram de ouvir Fernanda Abreu, Rio 40º”. Chegada ao Aeroporto Internacional Tom Jobim, Galeão.
São Paulo, Sábado, 26 de Agosto de 2006. Destino Belo Horizonte...

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