quinta-feira, 25 de maio de 2006

Concretudes












Desenho Cris Urbinatti


Concreto caminho de concretos, suportando buzinas e rodas a 1 Km/hora. Corpos estendidos sob e sobre passarelas de concretos, transitadas por ambulantes miseráveis e outros tantos, mais miseráveis ainda. Estes estão mais perto do céu, enquanto os encaixotados engravatados vão dentro de seus carros com suas amarguras, mais próximos do inferno. Ambos formigas que habitam os prédios de concreto capital. Formigas treinadas como máquinas de fazer coisas concretas. Todos mortos por atitudes concretas. Rodeados de fatos visíveis escondidos em túneis concretos. Fim do dia. Corpos miseráveis, mais tantos outros tão miseráveis quanto, concretos e cansados, embalados por trens subterrâneos nos seus trilhos de ferro estridente.
Assim retornam todos os miseráveis para os seus abrigos concretos, fingindo qualquer coisa que não suportam. Deitam suas cabeças cansadas e constrangidas num travesseiro duro e aguardam o momento da libertação. Enfim, tudo é habitável, instável e flexível. Conforta, dá medo. Ausência de concretos que aprisionam. Pena. Tudo é sonho e depois vem outro dia.

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